KALEVÁRA – ANTYESHTI SAMSKÁRA

Updated: Apr 13, 2019


(MORTE – RITUAL DE CREMAÇÃO PARAA FILOSOFIA HINDU RISHI) INTRODUÇÃO Antyeshtisignifica literalmente “último sacrifício”. E kalevárasignifica “morte”. Antyeshti Samskáraé a prática ritualística hindu de cremação. É um rito de passagem. É também chamado de “último rito” (Antykriya) tradicional na vida hindu. Eu estou trabalhando mais neste ritual para, nos próximos, tempos deixar tudo preparado para os Mestres darem sequência. Este ano de 2019 será um ano de compilação de todos os escritos dos últimos anos. Haverá muito material didático. É o que pretendo. E iniciaremos com o ritual de cremação. O Antyeshti Samskáraé estruturado sobre as escrituras sagradas hindus (Vêdas 10:16)de que os seres vivos são reflexos de um macrocosmo. Vivem estes seres apenas pela vontade de Brahman. A sobrevivência dos seres é explicada detalhadamente pela Filosofia Samkhyá e Yoga, dárshanashindus. Na Filosofia Vidya, a codificação que foi feita por mim possui centenas de diversos estudos hindus e a observação de sua influência na sociedade atual. Consegui ser o primeiro a introduzir a escrituração notarial (em cartório) do Antyeshti Samskáradesde 1998. Haverá, portanto, no Antyeshti Samskárada Congregação Vidya, um ritual não muito extenso, mas mesclado com algumas características ocidentais, especialmente brasileiras. Este sádhanafoi sistematizado de forma a levar em consideração que as pessoas no Brasil não estavam devidamente preparadas para compreender ipsis litterisde tudo o que os membros de nossa Ordem realizariam no ritual de cremação. Este é um trabalho conjunto entre Mestres e seus discípulos. O Antyeshti Samskára(ritual de cremação) geralmente é concluído dentro de um dia de morte, ou seja, em vinte e quatro horas. As práticas variam de família para família, pois o hinduísmo é infinitamente ecumênico e rico em detalhes. As práticas variam entre os diversos Ágamas(tendências devocionais). O corpo é lavado, envolto em tecido branco, se o morto é um homem ou uma viúva. E em um tecido vermelho, se é uma mulher cujo marido ainda está vivo. O angustha(dedão do pé) e os pádas(pés) são amarrados com uma corda de sisal ou outra, e a testa é marcada com um tílak(símbolo vermelho, amarelo ou branco) que pode variar de acordo com a crença. PROCEDIMENTOS PRELIMINARES DA TRADIÇÃO Dentro da Filosofia Vidya,antes do falecer, o Mestre, Swami, Brahmane ou Rishi deve chamar seus familiares para próximo de si e deve dar seu último darshanpreparando-se para partir, deixando todos preparados para o desenlace. Quando isso acontece, denominamos o “preparativo do mahasamádhi”. Se a pessoa estiver inconsciente no momento da morte, seu mantra deve ser falado suavemente no ouvido direito. O corpo é então colocado com a cabeça voltada para o sul e o incenso é queimado. No Hinduísmo, em algumas famílias, é colocado um pano branco sob o queixo e amarrado ao topo da cabeça. Seus dedos grandes (angustha)são amarrados juntos, assim como os polegares. As imagens religiosas são voltadas para a parede e os espelhos são, às vezes, cobertos com objetivo de evitar o apego nas “imagens” que o indivíduo tenha de si ou de outrem. Quando o indivíduo falece, seu filho mais velho [1], deve tomar um banho antes da cerimônia. Deve estar vestido de branco simbolizando a luz. Deve portar seu Vidyadharamala.Junto com seus familiares, deve acender varetas de incenso no ambiente [2], e deve acender velas brancas, as quais ficarão assim do início do velório até o início da cremação. Deve haver uma foto do falecido em plano alto, acima da cabeça e atrás da urna fúnebre [3]. Coroa de flores podem ser depositadas dentro do ambiente onde encontra-se o shava,posicionadas nas paredes e, também, do lado de fora. Além disso, o ambiente deverá estar com mesa apropriada com chay(chá preto com leite), água mineral e deve ainda ter chapati, bolachas de água e sal para alimento dos participantes. Todos devem estar usando seu vidyadharamalacolocado sobre a roupa. O shava(cadáver) deve passar pelos procedimentos de lacração de todos os seus nove orifícios com a colocação de sândalo ou outro óleo essencial. Este procedimento deverá ser feito por outro Mestre ou uma pessoa especializada neste trabalho, e com acompanhamento obrigatório de um ou mais Mestres e do cônjuge, se possível. O shavaé vestido com suas roupas apropriadas (no caso do Grão-mestre, com seu melhor dobok ou uniforme). As narinas são tapadas (no procedimento de lacração do corpo) com algodão embebecido com óleo essencial. Os pés são justapostos e o angusthae o tornozelo são amarrados suavemente de forma a ficarem unidos. As mãos são colocadas sobre o peito em pronam mudráe ainda envolvidas com o vidyadharamalaou com um rudrakshamalae delicadamente amarradas. Com a urna ainda aberta, coloca-se em seus orifícios nasais, duas mexas de algodão embebecidos com óleos essencial. Sobre a testa, marca-se o tílak[4]no terceiro olho. Flores são depositadas dentro da urna ou sobre a pira funerária. Os kathans[5]podem ser feitos, em ordem rigorosa. Dar-se-á privilégio inicialmente aos familiares e Mestres e, em seguida, às autoridades.

[1] Na ausência de um filho, poderá ser o discípulo mais velho, um ou mais familiares mais próximos do falecido. [2] Se possível, incenso-de-metro ou incenso de rolo ou de corda, assim como velas-de-metro. [3] Aqui faz-se a adaptação do rito oriental com o ocidental. [4] Ponto vermelho, amarelo ou branco no ájña chakra, e ainda, três riscos brancos ou avermelhados na horizontal. [5] Pronunciamentos ou manifestações ou declarações de familiares e amigos.




Pintura de Jacques-Louis David "A morte de Sócrates"

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